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[+]Lado B présente des textes inédits dans un format non académique, avec une liberté d'auteur et éditoriale. Les auteurs sont invités à partager des textes inédits conservés dans leurs tiroirs, qui peuvent découler d'intérêts académiques ou scientifiques, mais qui, pour une raison ou une autre, n'ont pas été transformés en un produit conventionnel tel qu'un article ou un chapitre. Les essais et l'expérimentalisme ont également leur place, avec une ouverture à d'autres domaines (littérature, poésie, textes dramatiques ou théâtraux, etc.) Lado B défend la dignité et la fidélité anthropologique de l'écriture essayistique et littéraire et invite les auteurs à présenter des textes littéraires ou poétiques dans la construction de leurs récits, considérant que l'écriture, comme le travail de terrain, est avant tout un processus relationnel, affectif, émotionnel, sensoriel et esthétique.
O texto apresenta uma etnografia narrativa sobre o mito ayuujk de Tajëëw, figura feminina associada à serpente, à água e à fertilidade. A autora articula memória de campo e tradição oral para reconstruir a relação entre Tajëëw e o seu irmão Kontoy, herói civilizador, mostrando como ambos formam um princípio complementar que estrutura o cosmos e a vida social. A narrativa acompanha a desobediência de Tajëëw, a sua fuga em direção ao mar e a consequente inundação do mundo, episódio que explica a configuração do território, a fertilidade desigual e a origem de elementos naturais. Através destas histórias, o mito funciona como um dispositivo explicativo e normativo, transmitido no quotidiano e incorporado nas práticas rituais. O texto destaca ainda a centralidade da serpente como figura cosmológica mesoamericana, ligada ao água, ao trovão e à transformação, bem como a persistência destas entidades míticas na organização simbólica, moral e ecológica da sociedade ayuujk.
DOI: tbd
A Pepe Díaz in memoriam,
a mi utsy Kunt por todo lo compartido.
Huyó de su hermano cuesta abajo pero dejó su rastro, su huella; por ahí sus manos, por ahí sus nalgas. Entonces, la tierra era blanda. También formó barrancas y al final llegó al mar donde se juntó con las serpientes petate que la ayudaron a inundar el mundo. Desde entonces ella controla las aguas del pueblo ayuujk.[1]
Silenciosa, Doña Victoriana también conocida como abuelita Pï, atisbaba el fogón mientras su hija Epifania acarreaba lo que íbamos a cenar. Era la hora en que Doña Epi y yo hablábamos de lo sucedido en el día, ella me preguntaba a quién había visitado, con quién había hablado. El yikstu’ujts[2] o patojo lleno de café se calentaba bajo el comal y yo generalmente compraba unas piezas de pan para compartir. Sopeando pan y parando oreja, transcurrían mis noches en Tlahuitoltepec mientras realizaba el trabajo de campo para mi tesis de doctorado. Siempre fueron frías, con la neblina baja; sólo los pesados gabanes ayudaban a contener el poco calor que mi cuerpo era capaz de generar en esas tierras; las altas de la región ayuujk.
Trozos de una olla de barro quebrada rondaban por el fogón y fue entonces, cuando me contaron, que si un niño o una niña rompe una olla o un comal, se le hace una pequeña herida en la mano con uno de los tepalcates rotos para recordarle, de ese modo, que no debe desobedecer a sus mayores como antiguamente lo hicieron Tajëëw y su hermano Kontoy, los héroes míticos.
Algo pasa cerca del fuego, las historias cobran más encanto, parecen más mágicas; si el protagonista es una persona que se convierte en animal o después se vuelve viento para hacer cosas imposibles, no importa. Uno sigue escuchando y, aún reparando en lo fantástico, continúa hilando hasta que todo termina enredado. La mitología es eso, el encanto de una noche que a la mañana siguiente te sorprende con más preguntas que respuestas volviéndose una espiral infinita que se transforma a diario.
Desde que conocí a Kontoy (personaje principal de la mitología mixe) tengo ese sentimiento; he escuchado atenta sus hazañas y travesías y me gusta volver a ellas una y otra vez. No obstante, hay detalles que a mi sentido común se le escapan y que van directo al cajón de lo que es y está en el mundo, rebasando mi capacidad de entendimiento e interpretación.
En mi temprana incursión a tierras mixes supe que Kontoy tenía una hermana llamada Tajëëw, y que, un desafortunado suceso los había separado en algún momento; sin embargo, me fui dando cuenta que ello explicaba parte de su universo y daba razones para entender su origen, complejidad y comportamiento actual. Como bien sabemos, toda sociedad desarrolla formas particulares de entender el mundo y a partir de ellas ordena su entorno y lo dota de contenidos simbólicos. Por ello, la mitología proporciona respuestas a problemas centrales de la existencia, pues ubica a la sociedad y su entorno en el universo.
Me di a la tarea de seguir de cerca el corpus mítico ayuujk, primero para saber sobre Kontoy y posteriormente sobre Tajëëw, aquella serpiente gemela, niña, mujer, hermana del rey, rebelde, también serpiente-venado o serpiente con cuernos que habita la milpa, mujer del trueno, la que controla las aguas de la región y vive en el mar.
Estas páginas las dedicaré a ella, a su aparición dentro del mito de origen mixe, a los fragmentos que la nombran, pero sobretodo; a su papel dentro de la conformación del mundo de los tlahuitoltepecanos en relación con el agua, lo que la coloca al lado de Kontoy en una deidad complementaria a él.
En este sentido puedo afirmar que, a pesar de que cada uno por separado (Kontoy y Tajëëw) conforma una entidad con identidades propias, uno complementa al otro y la existencia de uno se da a partir de que existe el otro. Como símbolos del universo compartido por los ayuujk jää’y de Tlahuitoltepec, Kontoy y Tajëëw forman una suerte de binomio y a ambos se les invoca en la ritualidad[3] llevada a cabo en los cerros, a ambos se les ofrenda y a ambos se les exige intervención social en los aconteceres del cotidiano.
Rubén: Mi aliado mítico
Conocí a Luisa y Alejandro en mis primeras visitas a Tlahuitoltepec hace más de quince años; un matrimonio joven, con hijos de distintas edades. Rubén es uno de ellos y, por aquella época, rondaba los once años de edad. Se quedaba en la cocina mirando desde un rinconcito mientras sus padres me platicaban cosas del pueblo, y yo; sorbía café tratando de enlazar fragmentos sobre seres míticos cuyos nombres recién me habían sido compartidos. Eran vacaciones escolares y Rubén, según me decían sus padres, se aburría en casa.
–Lléveselo maestra, seguro la ayuda en algo, por lo menos para lo que usted no entienda si le hablan en mixe.
Yo tenía veinticinco años cuando este niño, una mañana a primera hora, salió de entre la neblina con una camisa blanca perfectamente planchada y el pelo relamido para convertirse en mi guía, mi traductor y el mejor cuenta cuentos que jamás tuve. Juntos recorrimos la comunidad, cruzamos milpas, visitamos a los abuelos, brincamos charcos, comimos panes y elotes en el tránsito de veredas lodosas, pero sobretodo, compartimos la palabra.
Cuando de mitología se trata, los antropólogos tenemos la manía de querer encontrar a aquel anciano u anciana depositario de los orígenes a detalle al cual acudir para acceder a la verdad absoluta. Nuestra búsqueda responde a considerar que los años dan conocimiento y que aquellos personajes caracterizados siempre son los más sabios. Y sí, muchas veces lo son, pero no siempre tienen ganas de soplarse al antropólogo y contarle santo y seña de la historia del pueblo.
Rubén si quería; al igual que a mí, los personajes de Kontoy y Tajëëw le intrigaban. Se abría paso delante mío y al principio me decía:
–Yo también sé que ese rey vive en el cerro y que castigó a su hermana porque ésta lo desobedeció.
Luego, recogía piedras, ahuyentaba a los perros y de pronto comentaba otro detalle:
–Me dijeron que hay una piedra que son las manos de Tajëëw y otra que son sus nalgas, pero eso ya queda lejos de aquí, queda rumbo al mar.
Juntos recogimos varios relatos, nos sentamos con distintas personas de Santa María Tlahuitoltepec y rancherías vecinas. Terminábamos agotados y al irse para su casa, me preguntaba si nos volveríamos a ver. Rubén quería contarlo todo y pronto me di cuenta que yo aprendía mucho él.
La expedición de Tajëëw hacia el mar
La figura de Kontoy, el héroe civilizador mixe y Tajëëw su hermana, son un referente identitario para el pueblo ayuujk o mixe. Su vida y hazañas son conocidas por la mayoría de los habitantes y constituye el mito de origen de los ayuujk jää’y. En Santa María Tlahuitoltepec, me fueron relatados fragmentos varios cada vez que preguntaba por él. Me atrevería a decir que los distintos pasajes son conocidos por la mayoría de los habitantes, lo que me lleva a afirmar dos cosas; la primera, que para los ayuujk no existen momentos especiales para su enunciación a diferencia de otros pueblos con tradiciones míticas más estrictas y segundo, que su propagación no está en manos de personas específicas sino que es de dominio popular.
Existen, eso sí, como en toda tradición oral, muchas versiones o episodios mezclados. Pero, este mito, generalmente se comparte desde la infancia, al interior del espacio doméstico, como si se tratase de un cuento que los niños deben saber, pues a Kontoy y Tajëëw, se hará referencia en varios momentos de la vida, tal y como si de parientes cercanos se tratara. También en la escuela el mito es transmitido como parte de una educación integral que contempla, dentro del programa educativo, la transmisión de saberes y prácticas culturales. Así que el mito está tan vivo y presente en la vida diaria que no requiere de un contexto especial, una ceremonia o un día específico para ser contado. A manera de relato del génesis del mundo, de la gente, los animales y el territorio, elaboro a continuación la parte del mito de origen ayuujk que corresponde a la aparición y hazañas de Tajëëw.
Hace muchos años, en un cerro, un matrimonio de ancianos encontró algo que flotaba sobre el agua, primero pensaron que era la luna llena reflejada, pero al acercarse descubren que es el reflejo de un gran huevo que estaba apoyado en una piedra. En otras versiones se dice que no era uno sino dos huevos. El caso es que los llevan con ellos. Algunos cuentan que los pusieron junto a los huevos de gallina para que también se empollaran y otros dicen que con ayuda de un palo pican el cascarón y éste comienza a cuartearse. De ahí nacen Kontoy y Tajëëw , un niño grande y robusto con patas de ave y su hermana, una serpiente o nagual de Kontoy, que se crían al cuidado de la pareja desde entonces. Kontoy crece muy rápido, es listo, fornido y comienza a trabajar muy pronto. Va a Oaxaca, pelea con los aztecas, roba dinero a los ricos y lo da a los pobres, siendo una especie de Robin Hood mixe.
Un día, ya cuando son grandes, Kontoy se va lejos, pero antes de marchar, le pide a su hermana que prepare el nixtamal con dos surcos de maíz, otras personas mencionan que le encarga poner solamente catorce mazorcas, pero resulta que Tajëëw desobedece y coloca más maíz del que le indica su hermano, rompiendo con ello la olla de nixtamal. Kontoy regresa y al ver la acción de su hermana se enoja y la castiga cortando su mano con un pedazo de barro de la olla rota. Y aquí es donde lo contado aquella noche por Doña Epi junto al fuego cobra sentido.
Tajëëw sangrante, huye desconsolada cargando la mano de su metate rumbo a Rancho Frijol. Corre de Rancho Frijol a Rancho Salinas. Actualmente se dice que hay rasgos de su paso por ahí; una cascada de agua salada formada por su llanto y piedras rojas manchadas con su sangre. Posteriormente llega a un lugar donde se juntan tres ríos y que se esconde por un rato. Continua río abajo y casi llegando al mar se encuentra con las “serpientes petate” y platica con ellas para que, en venganza por lo que su hermano le hizo, la ayuden a tapar el río, los arroyos e inundar la región. Ellas se acuestan y se entretejen formando un pesado petate que logra bloquear el cauce del río.
El agua comienza a subir como si de una presa se tratara y Kontoy no puede acceder. Algunos cuentan que Kontoy hace uso de su poder como rayo para azotar el agua dividirla en tres partes y Tajëëw se queda escondida. Otros episodios dicen que Kontoy llama a los animales para que lo ayuden con la inundación. Entonces éstos comienzan a apilar piedras y forman las montañas. Es así como se erige el Zempoaltépetl, o cerro de los veinte picos, el más alto de la región; lugar donde se lleva a cabo la mayoría de la ritualidad de la zona alta hoy día. En esa montaña, para librar el agua de la inundación Kontoy y los animales se resguardaron.
Kontoy planea entonces una estrategia, manda al zopilote y al cuervo para atacar a las serpientes y liberarse del agua. Entre eso y que Tajëëw se va calmando, el agua comienza a bajar. Pero la tierra y el agua andan revueltos, la catástrofe, a la que muchos se refieren como un diluvio, había arrasado con todo lo fértil, quedando ahora pura roca donde no se podía sembrar. Para eso, hay fuego, no hay gente y Kontoy tiene que recuperar sus bienes.
Se vuelve necesario ir en busca del suelo, la fertilidad y el fuego. Aprovechando la calma de Tajëëw, Kontoy envía al zopilote para que éste, en su forma humana le pida trabajo a Tajëëw y comience a labrar la tierra. Después de un tiempo, el zopilote logra esconder algo de la tierra entre sus alas; otros dicen que en su boca, debajo de una muela. Es así que regresa volando tierra arriba y al extender sus alas rocía de tierra fértil los campos para poder sembrar de nuevo en la parte alta. Los que dicen que guardó la tierra en su boca, cuentan que desde el aire, abre la boca y escupe tierra. Sin embargo, de ningún modo es suficiente tierra y ello explica porqué los de la zona baja tienen, desde entonces, mejores terrenos para cultivar que los de la alta.
Comienza entonces un periodo de restauración. Kontoy desde la montaña, Tajëëw desde el mar. Y ahí se forman los compuestos necesarios complementarios. Kontoy vuelve a tener tierra gracias al zopilote, pero le preocupa recuperar las semillas y el fuego. Manda entonces al zorro, a la urraca, al colibrí y a otros animales, pero no es tarea fácil. Consigna ahora a las guacamayas y son ellas las que recuperan las semillas de maíz; por su parte, para conseguir el fuego, recurre a la creatividad del tlacuache. En el transcurso de este drama se suceden así muchas peripecias que van explicando el origen de las cosas y otorgan sentido al mundo ayuujk.
A partir de su huida al mar, de acuerdo a lo narrado en Tlahuitoltepec, Tajëëw controla las aguas, ella se queda a vivir en el mar y Kontoy en la montaña. Es ella quien se encarga desde entonces de dar sustento a las personas que viven en tierras bajas todo lo que recolecta. Es una mujer que tiene poder, que vive en el agua, pero también fuera de ella porque es una serpiente. En este sentido es muy importante mencionar, que el agua y la culebra conforman un concepto mesoamericano encontrado en muchos pueblos de Oaxaca y que esta región no es la excepción.
Como mencioné, este mismo mito es relatado de distintas maneras por los ayuujk. Si bien en Tlahuitoltepec hace referencia a Kontoy y Tajëëw, en Totontepec la narración pone a los personajes como José y María y los asocia a La Mitra (cerro sagrado).
Según cuentan los abuelos, era la temporada de pizca y La Mitra (de nombre José) le dijo a María su esposa que fuera a recoger el maíz, pero que comenzara a pizcar por las orillas hasta llegar al centro. María se fue pero como vio que las mazorcas de en medio estaban más bonitas, comenzó por ahí y desobedeció a la Mitra. Cuando llegó a la casa, La Mitra se dio cuenta, discutieron y terminó echándola. La aventó por el cerro y María rodó y rodó hasta que llegó a Playa Vicente, Veracruz, a un lugar que se llama Mixtán. Por eso dicen que a las 6 de la mañana se ve Mixtán desde lo alto de La Mitra. Dicen que ahí donde quedó tirada la esposa, se hizo una piedra y que ese territorio es el que pertenece a Totontepec. El nombre es Mix dan “ahí te quedas”.
Tajëëw: ¿mujer, culebra, nagual?
La culebra es una figura asociada al agua, los manantiales, lagunas[4] y cenotes para el caso de tierras mayas. A través de ella se manifiesta el Dueño del agua o del cerro, cuida las entradas o custodia los bienes que existen al interior de dichos lugares.
Tanto para algunos autores[5] como narradores, Tajëëw, más que ser hermana de Kontoy, es su hermano culebra (en masculino) o su nagual. Esta representación de la serpiente como nagual de Kontoy está también presente en el pensamiento ayuujk, lo cual puede ligarse al modelo ejemplar de tonalismo y nahualismo mesoamericano, que es manifestado en las creencias y ritualidad contemporáneas en las poblaciones mixes.
Por otro lado, en Santa María Nativitas Coatlán, que se encuentra en el área de la mixe media, se ha difundido la idea de que en el origen se trató de dos huevos y que de uno salió Kontoy y de otro su hermano culebra, que una vez que Kontoy fue a trabajar lejos, éste, decidió alcanzar. Pero, en el camino el hermano culebra se encuentra con un cura que lo bendice y lo deja petrificado. Actualmente, en Nativitas Coatlán conservan una piedra con forma de serpiente que fue hallada hace unos años y que se cree se trata del hermano del rey petrificado. A esta figura se le festeja cada año junto con una serie de eventos dentro de un programa cultural más amplio.
Por otro lado, es necesario acotar que la presencia de Tajëëw como hermana serpiente es mucho más visible en Tlahuitoltepec que en el resto de la región, al punto de casi decir que, en otras latitudes, su papel queda muy de lado o ni siquiera existe.
En términos biológicos, existen en Tlahuitoltepec distintos tipos de serpientes o tsääny. La boa, la coralillo, y la serpiente de noche. Pero distinguen también otras que tienen contacto con los humanos en cuanto a mensajes y señales. Estas son: jacutsääny (venado-serpiente) que es la culebra que cuida la milpa de los tejones y otros animales que dañan el maíz. Y la waxtsääny, la cual, de acuerdo a su color da mensajes a los humanos de parte de las deidades o de los muertos. Si es blanca (poop waxtsääny) hace las veces de mensajera del viento, del rayo o del trueno y si es negra (yek waxtsääny) quiere decir que es enviada por los muertos.
La serpiente también representa en distintas ocasiones el trueno, el rayo y el maíz dentro del pensamiento mixe. Por ejemplo, cuando las personas sueñan con serpientes es porque están durmiendo encima del maíz, porque cerca de su cama hay maíz tirado o porque en sus pantalones quedaron atrapados unos granitos de maíz. En el mundo de los sueños el maíz es serpiente o es rayo.
Así mismo, está bastante difundido que cuando una mujer entra en el río, debe tener mucho cuidado, pues las culebras (como con las que Tajëëw pactó aquella venganza) pueden enredarla haciendo una especie de petate, llevarla al fondo y embarazarla en las profundidades del agua.
En Ayutla y en Tlahuitoltepec existe un mito donde una niña cae a un pozo donde vive una culebra que es como petate, la enreda y la lleva al fondo. Esta mujer queda embarazada y tiene por hijos a unas culebritas que guarda en un tenate. Años después, la niña hecha mujer, regresa con sus hijos a casa de sus padres. Mantiene a las pequeñas culebritas bien cuidadas y encerradas en el tenate, pero come aparte y digamos que así los abuelos nunca ven a las culebritas. Pero, un día, la mujer sale y la curiosidad de la abuela la hace abrir el tenate y las culebritas se escapan. La mujer regresa muy enojada y le dice a su madre que aquellas culebritas eran sus nietos y que al escaparse formaran arroyos. Comienza a llover mucho, porque se juntan el viento, la lluvia y los truenos. En este caso el padre ya no es la serpiente petate, sino el trueno, y con su poder hace que la leña se arrastre hasta casa de la abuela. Las serpientes entonces se vuelven truenos y dañan[6].
En Tlahuitoltepec se diferencia la lluvia con trueno, anatuuj de la tsäänytuuj que es lluvia que cae en tiras como serpientes y provoca daños. En ocasiones esta lluvia cae con tanta fuerza a la tierra que provoca movimientos curveados, haciendo surcos, “culebreando” y eso es conocido como caminata de culebras.
De acuerdo a la creencia local, Kontoy y Tajëëw son seres inmortales y se asocian a lo masculino y femenino. Ella, en su avatar de serpiente está relacionada a la tierra, el agua y la fertilidad. Se representa como una serpiente mordiendo su propia cola, lo cual constituye el principio ayuujk de que “nada se pierde y todo se transforma”, lo que nos recuerda una espiral del tiempo que simboliza la manera en que los ayuujk conciben su estar en el mundo, un ciclo que no inicia ni termina sino va caminando y restaurándose como la mítica misma.
A manera de cierre
Cada sociedad humana como creadora de mundos parte de la presencia de un nomos y un cosmos como elementos que coexisten. El primero entendido como el orden socialmente establecido de las cosas, las normas, lo que está dado por la cultura. El segundo como aquello que trasciende al hombre, un orden sagrado que legitima el primero. La concepción de esta naturaleza complementaria está presente a lo largo de la vida de todo mixe y como vimos el relato mítico lo establece claramente.
Hombre-mujer, hombre-animal, cerro-mar, hombre-nagual, humedad-sequía, desierto-fertilidad, son algunas de las oposiciones que encontramos en los fragmentos antes relatados, cuyo papel primordial es explicar el origen de la vida y establecer normas que puedan regular las múltiples relaciones sociales. En esta explicación, el origen de los cerros y otros accidentes geográficos que pueden verse a través de huellas en el territorio, el control sobre las aguas y un periodo de restauración ecológica para reestablecer la agricultura, me parecen puntos clave para mostrar la conformación del territorio ayuujk actual.
En la vida diaria y en la vida ritual de Tlahuitoltepec, la concepción de una naturaleza-sociedad complementaria se evidencia en el sistema de cargos comunitarios, la ritualidad y la división del trabajo; aunque claramente, dicha concepción no es inmune al caos y momentos de quiebre que tanto en el recurso mítico como en el plano presente se valen de la creatividad para sortear los distintos niveles de existencia y funcionar a su modo.
Los personajes míticos como Tajëëw están dotados con capacidades y sensibilidades especiales que a través de sus palabras, gestos y acciones, otorgan a la gente, desde el inicio de los tiempos, lo necesario para pensar y actuar en la vida. Así mismo son reservorio de moralejas y útiles instructivos de lo que se debe y no se debe hacer en el mundo como cuando rompes una olla y te hacen un pequeño corte para recordar lo vivido por Tajëëw.
En Tlahuitoltepec, atender un ritual o kojpk pääjtïn hace referencia a ir al encuentro con la montaña y por tanto al encuentro con la raíz, con las entidades que en ella moran. En ese espacio, donde se sabe vive Kontoy, se ofrenda y se invoca por igual a él mismo, a Tajëëw, al viento, al mar, al trueno, al rayo y a la madre naturaleza como un todo. Ante estos personajes se legitiman sentimientos, creencias, acciones y comportamientos, haciendo explícita la convergencia de lo social y lo cosmológico a través de relaciones sociales que se inscriben como marco de referencia de una identidad compartida y dinámica.
Los ayuujk jää’y de Tlahuitoltepec no dudan que las huellas que Tajëëw dejó sobre el territorio, conducen hasta el mar y que hasta ahí llegan sus dominios. Su recuerdo permanece poderoso y así, oculta bajo las aguas, continúa con su sangre fertilizando los suelos mixes como si se tratara de una deidad acuática a la que aún, no se le levanta el castigo.
Este texto fue posible gracias a las narraciones, a lo largo de una década, de: Epifania Jiménez, Facundo Vargas, Julio César Gallardo, Familia Martínez González (Rubén, Luisa y Rubén hijo), Yásnaya Elena Aguilar Gil, Juana Bautista, Vicente Vásquez, Pepe Díaz (QEPD), Juan Carlos Reyes, Donaldo Monterrubio, María Jiménez, Carolina Vásquez y Raquel Diego Díaz; de las comunidades de Tlahuitoltepec, Ayutla, Cacalotepec, Alotepec y Totontepec. De la misma manera, agradece las imágenes de la obra gráfica de Kunt Vargas y Gilberto Delgado.
Notas:
[1] El término ayuujk define mixe en su propio idioma. Se divide etimológicamente en a que proviene de ääw (boca) y yuujk (montaña, arriba o algo florido, selva). Ayuujk es entonces la palabra florida, alta o elevada, “tener la selva en la boca”, razón por la cual los mixes se autonombran como los ayuujk jää’y; “gente de la palabra florida o elevada”. A lo largo de este texto utilizaré indistintamente los vocablos mixe o ayuujk . Y las palabras escritas en ayuujk corresponden a la variante hablada en Santa María Tlahuitoltepec.
[2] Olla de cerámica con forma de bota que permite que su panza, es decir, donde está contenido el café o los frijoles se introduzca entre el fuego y el comal para calentarse.
[3] Para conocer más sobre la ritualidad ayuujk se puede consultar: Castillo Cisneros, María del Carmen, 2021. Ser Majääw: Ritualidad ayuujk en Tlahuitoltepec, Oaxaca. Colección Culturas Originarias, Universidad Pablo de Olavide, Sevilla. De descarga gratuita en: https://rio.upo.es/xmlui/handle/10433/10562
[4] Barabas, Alicia. 2006. Dones, dueños y santos: Ensayo sobre religiones en Oaxaca. INAH, Porrúa, México, D.F.
[5] Miller, Walter. 1956. Cuentos mixes. Instituto Nacional Indigenista, México. Ramírez, Elisa. 1993. “Serpientes de piedra”. Arqueología Mexicana (3):37-41.
[6] Romero Méndez, Rodrigo. 2009. La serpiente petate. Tlalocan XVI: 87-114.
María del Carmen Castillo Cisneros (Profesora-investigadora del INAH-Yucatán, carmen_castillo@inah.gob.mx)
María del Carmen Castillo Cisneros (México, 1979) Doctora en Antropología Social por la Universidad de Barcelona. Profesora investigadora adscrita al Centro INAH-Yucatán y miembro del Sistema Nacional de Investigadores. Su tesis de doctorado recibió el Premio Fray Bernardino de Sahagún en 2015. De 2001 a 2020 trabajó con pueblos indígenas en el estado de Oaxaca, destacando su investigación entre pueblos tacuates y ayuujk en temas de ritualidad y memoria textil. Hizo el dictmaen antropológico por el plagio de la blusa de Tlahuitoltepec, el de la blusa de Tijaltepec y dos peritajes antropológicos sobre los cenotes. Actualmente, hace investigación en torno a la defensa de cenotes por megagranjas de cerdos en Yucatán y coordina una columna semanal en la Jornada Maya.