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© Pedro Calapez. 2023. (Pormenor) Díptico B; Técnica e Suporte: Acrílico sobre tela colada em MDF e estrutura em madeira. Dimensões: 192 x 120 x 4 cm. Imagem gentilmente cedidas pelo autor. Créditos fotográficos: MPPC / Pedro
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El día del apagón ibérico soplaba el tercer día de levante en las tierras de Tarifa, un viento común y muy propio a la zona (presente 185 día del año) conocido por su orientación Este y su expresión racheada, virulenta y persistente.[1] A las 12 del día me encontraba en Tahivilla, una pequeña localidad rural de Tarifa, mi intención era conseguir hablar con unos camperos[2] para conocer como es la creación de valor en un paisaje rural cercado de latifundios y aerogeneradores. Cuando me acerqué a pedir un café, la jilguera, dueña del bar, me dice: “cafetera no tengo porque se ha ido la luz”. Nadie parecía sorprendido, ni yo, ya que los cortes de suministro han acompañado recurrentemente los meses de estancia prolongada que llevo por la zona. Decidí quedarme bebiendo una cerveza, mientras mantuve una conversación arbitraria con personal del lugar. Al transcurso de una hora ni los camperos llegaron, ni la electricidad tampoco.
Ya que el hambre me consumía me volvía al lugar que se volvió mi hogar temporal en el pueblo de al lado. Mi voluntad se vio frustrada cuando me recordé que lo que tengo es una vitrocerámica como la gran mayoría de casas en España. La sensación de un tiempo muerto aumentaba, por lo que me fui a saludar a mi vecina. Andrea, mujer campera “hecha al levante” tras vivir y trabajar como asentada en la finca de “un señorito”,[3] se presenta fresca y lúcida con sus 80 años mientras tejía su crochet sin preocuparse de mucho. A mi comentario de que ya íbamos para dos horas sin luz ella respondió: “es normal chiquillo, aquí la luz se va mucho y con levantera más”. La gente de la tienda del pueblo sostenía el mismo relato.
En vista de conocer un poco más la forma en que el pueblo percibía la falta de luz (eléctrica, ya que a esas horas aún no caía la noche) me inventé un motivo para salir andar y me fui a echar la basura. Me encontré con Isabel, una neo-local al pueblo de hace 20 años – entre otros más que lo eligen residencia para quedarse – me comenta que es un corte de tres países, y que “como está todo tan raro con esto de las guerras, es preocupante”. Tenía sentido su preocupación, hace unas pocas semanas aparecía en televisión nacional el plan de Re-arm Europe y la recomendación de preparar un botiquín de emergencia en caso de guerra o catástrofe. Ya de vuelta, me encuentro con Andrea, mi vecina… perpleja, con ojos de plato escuchaba su radio a pilas: “El corte es en toda España (casi riendo de nervios me dice), ¿yo no creo que esto sea por el viento allí arriba también?”
Fue interesante ver la centralidad que tuvieron las personas mayores aquel día, al caer la noche varias familias recurrían a ellas – entre esos a mi vecina – por mantener aún aquella hornilla con “butano”, la radio a “pilas” o un par de velas. Más allá de reflejar la poca preparación civil a una emergencia, revelaba la altísima dependencia eléctrica en la vida de hoy. Efectivamente, no se trataba solo de quedarse sin luz, sino que también de la electricidad responsable de activar la vitrocerámica para la comida, o de la bomba eléctrica que permite que todo el pueblo tenga suministro de agua potable. Manuel, un trabajador de un hotel de Tarifa, – quien pasaba a echarse un café, gracias al butano y molinillo manual de Andrea –, lo ilustraba así:
“las puertas con tarjetas tienen batería, pero como no hay ordenadores no podíamos hacerles las tarjetas a los clientes… date cuenta de que es la luz, que es todo la luz, el termo de agua caliente, la vitro para cocinar, el teléfono para llamar y ahora los coches eléctricos, es que todo es luz.”
Después de que la conciencia de un apagón a escala nacional se cristalizara entre los vecinos de la campiña, las pilas de la tiendecita local habían volado y la filas en las gasolineras se alargaban. Más tarde, me enteré de que algunas estaciones de Tarifa llegaron a no poder suministrar combustible, pero no solo porque no podían dejar registro de factura, sino porque las propias bombas de suministro dependían de electricidad para hacer llegar el combustible hasta la manguera de la superficie.
A la mañana siguiente me di una vuelta por los bares del pueblo, buscando recoger las impresiones del apagón. Me interesaba conocer las percepciones, sobre todo teniendo en cuenta que el medio rural de Tarifa se convive desde hace años con un energopaisaje densamente poblado por aerogeneradores desde el primer boom de renovables en España.
Figura 1 – Noche de apagón. Escuchando la radio con Andrea, con café gracias al butano y el molinillo de mano (Facinas, Tarifa 2025). Fuente: Fotografía del autor.
Además de la creencia generalizada de que se escondía información y de que “Putin ya había tirado la bomba” (también comprensible en la coyuntura de crispación geopolítica de nuestros tiempos), oí un vecino rural de Facinas que reclamaba: “es que como va a ser… que con la pechá[4] de levante que tenemos, y con todos estos molinos, estuvimos a oscuras…”.
Paradójicamente, aunque en Tarifa y la comarca del campo de Gibraltar sea hoy un territorio por donde “comienza” gran parte de la energía de España – ya sea por la concentración de 32 parque eólicos en el medio rural Tarifeño, o por el hecho de que la bahía de Algeciras concentre un polígono poblado de infraestructuras energéticas,[5] la comarca fue la zona con más horas de oscuridad de España.[6] Si en Bilbao el suministro se recuperó a las 14h, o en Madrid y Barcelona a las 18h, Tarifa y gran parte de la comarca no recibo suministro eléctrico hasta las 7h del día siguiente.
Esto me hizo pensar… Tarifa también es el enclave que en los años 90 se eligió para el paso del cable de interconexión eléctrica España-Marruecos, un cable con dos líneas de 400 Kilovoltios cada uno, instalado en dos tandas, una en el año 1996 y la otra en el 2002 por Red Eléctrica de España. Obra planificada para dar estabilidad a la red eléctrica europea y permitir la evacuación y comercialización del excedente energético de Francia y España sobre Marruecos. No obstante, el día del apagón, el cable que, en el año 1996, ponía nervioso a Red Eléctrica en Madrid, por algo que los tarifeños conocen como “la guerra del cable”, volvía a hacer historia, pero de otra forma. En titulares de prensa aparecía tres días después del apagón: “El cable de Tarifa hasta Marruecos 'salva' a España de una mayor crisis eléctrica (periódico digital Área Costa Sol, 30 abril 2025).
Se trataba del mismo cable que en el año 1996 movilizó al pueblo de Tarifa en un oposición masiva y frontal contra la decisión estatal y europea de que el cable de interconexión del tramo España-Marruecos pase por esta zona. Resistencia que se fundaba por los posibles efectos en la salud humana y de los caladeros del voraz[7] que eran la base del sustento de las economías pesqueras del pueblo.
Más allá de ese relato heroico, personificado en la prensa por un cable (y curiosamente, no por la energía que suministraba Marruecos en sí), la percepción de esta salvación fue mucho más diferente en tierra, sobre todo en los habitantes de la comarca. Así lo escuché en el bar, por una enfermera que durante la noche del apagón ejercía su turno en el hospital Punta Europa de Algeciras: “Dicen que están pasando electricidad desde Marruecos a España, pero ¿adónde va?, que a Algeciras todavía no llega”.
Varias semanas más tarde me encontraba haciendo una entrevista a un antiguo promotor de energías renovables residente en Tarifa. Hablamos sobre la incidencia del apagón en el sector. Con fascinación me comentó una idea que a simple vista parecía absolutamente contraria a la vivencia de la enfermera de una ciudad a 21km de Tarifa:
“Date cuenta de que en el Telediario apareció que la subestación de Tarifa fue la primera ciudad en recibir electricidad en España, porque la subestación de Puerto de la Cruz recibió electricidad desde (la central de) Fardoua de Marruecos y la pasó por el cable. A partir de ahí 900 MW de energía y ¡pum!, ahí lo tienes, electricidad para España.”
Perplejo, le pregunté que cómo era eso posible si Tarifa recibió electricidad a las siete de la mañana del día siguiente (incluso ocho de la mañana en algunas zonas).
“[…] porque las subestaciones de transporte son una araña, primero deben conectarse en red y luego dan el suministro a las subestaciones pequeñas que dan distribución para las casas, está, por ejemplo, con una línea de 400 kvt por los que conecta con Puerto de la Cruz [subestación], luego va a puerto Real en Cádiz, y luego va subiendo a otras, después cuando está estabilizada enciende toda la red para las pequeñas.”
La percepción de este promotor energético se veía obnubilada frente a las maravillas de las infraestructuras de interconexión eléctrica, daba igual donde iba la energía, lo importante era que llegara. Sin embargo, no ponía en cuestionamiento la fuerte centralización de la gestión y acceso a la energía en el territorio, una energía que cada vez que tengo oportunidad pregunto ¿a dónde va?, tanto operarios eólicos, como camperos, siempre me dicen que a “Barcelona o a Madrid", otros a veces también replican: “ya arriba, luego vuelve pa' abajo”.
El apagón, de alguna forma, iluminaba no solo el grado de dependencia eléctrica, tan cotidiana entre los vecinos de un pueblo (como de gran parte de la sociedad contemporánea), sino que, a su vez, reveló como las infraestructuras de generación y distribución de Tarifa (y la comarca) iluminan una estructura fuertemente centralizada en el suministro energético español. Pero además de ello era capaz de mostrar el diseño tácito de centros y periferias, propias a una historia de viejas estructuras regionales en España, dispuesta entre polos urbanos e industrializados más valiosos y otros polos menos valiosos del sur.
La distribución de la energía en un sentido amplio en España no puede explicarse al margen de la historia de la estructura regional que devino de la industrialización de las regiones del norte de España, país vasco, Madrid, Cataluña y parte del país valenciano. Sin embargo, en Andalucía, una tierra caracterizada por una estructura agraria basada en el rentismo y el latifundio, la abundancia de campesinos sin tierra y mano de obra barata hizo que la industrialización fuera cuando menos frustrada o tardía (Cabezas Delgado 1985). En el caso de Tarifa y gran parte de la comarca, esta situación se vivió a través del sangrado de poblaciones hacia el norte en los 60. Un campero y antiguo corchero que hizo parte de esta historia me lo ponía así cuando visitaba Facinas: “Aquí no quedaba ná, ni campo, ni monte ni ná”.
De todo ello no es casualidad que gran parte del paisaje de aerogeneración eólica de Tarifa (y gran parte de la comarca y la propia provincia) discurra en la superficie de los latifundios. Efectivamente el viento de levante sopla libre por los cielos, pero su cosecha se hace por el suelo. En un territorio donde la distribución y acceso a la tierra se ha marcado por la estructura agraria y el latifundio, los beneficios de un sistema energético centralizado no podían no concentrarse en unos pocos. “Los molinos le han caído a los señoritos, pal pobre y el pelao ná”. Me decía Paco, un campero de Tahivilla, hijo de los colonos de un pueblo que es una excepción a toda regla. Pueblo que garantizó el acceso a 25 hectáreas de tierra por familia a partir de la expropiación de un latifundio, como parte de una política de la II república española. Muchas décadas más tarde, a fines de los 90, pese al avance de varios precontratos para unos proyectos eólicos firmados por la segunda generación de aquellos colonos, los cinco parques eólicos terminaron por ser reubicados en terrenos de dos antiguos terratenientes de la zona. “Todos los pobres juntos no piden limosna”, me explica un antiguo presidente alcalde de esta pedanía rural.
Es quizás por ello que en todo el monte y la campiña de Tarifa ha sido común encontrarme con poblaciones rurales profundamente desafectadas por aquel paisaje eólico, uno que a simple vista parece tan evidente al ojo del forastero… pero no porque no duela o no incomode escuchar “el ruido de los molinos que parece que es una avión que no termina de despegar”, según una vecina de la aldea de Almarchal, sino porque los camperos históricamente han sido dejados al margen de las decisiones que configuraron este paisaje (incluso antes de tornarse verde).
Figura 2 – A espaldas de los molinos. Carrera de cintas de la romería de la Virgen de la Alegría, en vía pecuaria de La Campana, pedanía del Almarchal (Tarifa 2025). Fuente: Fotografía del autor.
El hecho de que los camperos digan que los molinos “caen” del cielo refleja muy bien la percepción local que se tiene de un paisaje vivido convertido en promesa verde para el futuro de otros. En una resolución estatal del año 2006, que otorga la aprobación de interés de utilidad pública de un proyecto de parque eólico (y con ello de la posibilidad d expropiación forzada), queda muy clara una historia que es de más largo alcance que la del despegue eólico en el territorio.[8] Esto porque tras la movilización de algunos vecinos del núcleo rural del Almarchal – la única de tipo vecinal en la historia del despliegue eólico en Tarifa – la voz de los vecinos de una aldea que guarda su origen en un antiguo asentamiento jornalero de los latifundios de la zona, eran circunscritos de la siguiente forma dentro de la sentencia para la aprobación del proyecto (y con él de ocho proyectos de parques eólicos que terminaron por ser aprobados):
“Las alegaciones suscritas por la Asociación de Vecinos del Almarchal, no aplican al caso porque sus integrantes no son propietarios de la superficie donde se proyectan las infraestructuras.”
En una conversación que varias semanas más tarde mantuve con un operario eólico (hijo de camperos), me hice consciente de que las dinámicas que han puesto en valor al viento de levante de Tarifa son el reflejo de una misma historia y una forma clave de entender la percepción que las poblaciones tienen de estos procesos, en este paisaje tornado verde. Uno en el que el viento fue un vector clave de la comodificación no solo energética, sino también turística del territorio.
“¿Tu conoces lo del accidente del transformador? Murieron dos chavalas, una de Facinas y otros tantos heridos, todos eran camareras y limpiadoras del hotel, la mayoría de Tarifa… pos la sentencia llegó hace poco, ni Endesa ni el hotel tienen que pagar nada… al otro día del accidente el hotel estaba abierto, el dueño no cerró, ni por respeto, dijo que era temporada alta […] date cuenta, si antes había un transformador para 20 casas, hoy, con el reventón turístico, esas 20 se han vuelto 50 o 60, más los hoteles… y claro la construcción ilegal es lo suyo por la demanda turística que tiene Tarifa… y a lo mejor el hotel está ahí, pero y ¿cuántas casas están colgadas [al transformador]? […] Además una casa ya no solo es la televisión y el frigorífico, ahora es que el aire [acondicionado], el calentador, la placa [vitrocerámica] pa' cocinar, todo es luz… normal que no reventara antes”
Figura 3 – Antigua señalética vial de acceso a Tarifa (2024). Fuente: Fotografía del autor.
El accidente por la sobrecarga del trasformador,[9] el poco o nulo mantenimiento desarrollado por la empresa distribuidora de suministro eléctrico (Endesa), sumado a las lógicas de encarecimiento del valor del suelo y turistificación, enlazan, de alguna forma la forma en que las poblaciones locales de Tarifa experimentan cotidianamente la energía, así como el valor otorgado al territorio y sus habitantes. El mismo técnico replicaría:
“… El problema aquí es Endesa [la empresa que lleva la distribución] ¿tú no te fijas la de cables y postes que tienen llenas de abrazaderas y empalmes? ¿Las soluciones que dan? Tienen el cable malo, está todo lleno de empalmes, solo dan soluciones baratas…como no vamos a tener cortes con el levante si todo está así, hecho polvo, no invierten nada para la gente…”
“En Tarifa desde los años 80 que hay parques eólicos creando energía, ¿como es posible que hoy, siendo 2025, todavía haya pedanías y enclavados que no tengan luz?... Lo que habría que ver es que aquí se crea la energía, la juntan y se va, y luego vuelve aquí más cara… y quienes se tragan los molinos.”
Desde entonces, pongo más atención a los postes en mi trabajo de campo, una cuestión que, aunque habría visto, no se revelaría en la experiencia cotidiana hasta que la energía faltó.
Figura 4 – Postes y cableado para suministro doméstico en Facinas, Tarifa (2025). Fuente: Fotografía del autor.
Entre los camperos y marineros de Tarifa, la crítica al tipo de beneficios que conllevan estos paisajes de futuro y del tipo de valores que ha cogido el territorio (ya sean turísticos, ambientales o energéticos), es común que se funden desde la expresión: “somos nosotros los que crecimos comiendo levante”. Una expresión que refleja no solo la idea de una condición que los volvería como los legítimos beneficiarios de estos paisajes vividos (vueltos verdes), también de proceder del territorio donde hoy ya no es tanto el levante el que los obliga a “comérselo” – es decir, de convivir a su incertidumbre – sino por las propias consecuencias de su éxito, uno que todavía los confina a una vida en el presente.
Figura 5 – Andrea desde su casa en Facinas (2025). Fuente: Fotografía del autor.
Mientras tanto, mi vecina, desde su puerta, cada mañana se queda a contemplar “los molinos” para interrogar al porvenir, me dice que es “para ver si está barruntando [10] levante”.
“El levante, todo lo que trae se lo lleva, sea bueno o malo, se lo lleva” (una campera de Facinas)
Felipe Campos Mardones (doutorando ISCTE-IUL)