Artigos
Luciano von der Goltz Vianna
O presente artigo parte de um debate que visa compreender como os regimes disciplinares da antropologia conduzem o pesquisador a seguir um protocolo específico de questões e interesses em suas pesquisas. O objetivo, aqui, é discutir sobre os
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Rocío Fatyass
En este artículo retomo emergentes de un proyecto de investigación con niñxs que tiene lugar en un barrio periurbano de la ciudad de Villa Nueva (Córdoba, Argentina) y discuto sobre la agencia infantil y la participación de lxs niñxs en
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Aline Moreira Magalhães
A produção de um saber moderno acerca da flora e fauna amazônicas incorpora, desde as expedições naturalistas do século XVIII, conhecedores e conhecedoras por vivência daquele ecossistema. No Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
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Juliana Pereira, Ana Catarina Costa, André Carmo, Eduardo Ascensão
Este artigo retoma os estudos sobre a casa e o habitar desenvolvidos pela Antropologia e pela Arquitetura portuguesas, acrescentando-lhes um olhar vindo das geografias da arquitetura, para de seguida explorar a forma como os habitantes de edifícios
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In the global political landscape, as far-right parties gain prominence, populist rhetoric advocating for harsher justice and security policies is becoming increasingly prevalent. Proponents of this rhetoric base their discourse on “alarming”
[+]Dossiê “Beyond penal populism: complexifying justice systems and security through qualitative lenses”
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A violência policial racista é uma das facetas mais brutais do racismo na nossa sociedade, refletindo estruturas de poder e opressão que marginalizam setores da sociedade. Este artigo sublinha a importância de compreender essa realidade,
[+]Dossiê “Beyond penal populism: complexifying justice systems and security through qualitative lenses”
Catarina Frois
This article engages with contemporary anthropological and ethnographic methodological debates by reflecting on the challenges of conducting research in contexts related with marginality, deviance, surveillance, and imprisonment. It examines the
[+]Dossiê “Beyond penal populism: complexifying justice systems and security through qualitative lenses”
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Qualitative researchers face unique challenges in the dynamic domain of border regions, particularly when venturing into highly securitized areas with a constant military presence, advanced surveillance, and restricted access zones. This article
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Rita Tomé, João Leal
Falecido recentemente, Victor Bandeira (1931-2024) desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da museologia etnográfica em Portugal. Foi graças às suas expedições a África (1960-1961, 1966, 1967), ao Brasil (1964-1965) e à Indonésia
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Jo P. Klinkerfus
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Antonio Maria Pusceddu
Este artigo mobiliza as ecologias de valor como um quadro concetual para dar conta dos conflitos, contradições e dilemas decorrentes da experiência da crise socioecológica contemporânea. Baseia-se num trabalho de campo etnográfico em Brindisi,
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Axel Levin
Esta investigación etnográfica aborda las dificultades, prácticas, y estrategias de los/las profesionales del único hospital argentino especializado, íntegramente, en el tratamiento de problemáticas en salud mental de niños, niñas, y
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As ibejadas são entidades infantis que, junto aos caboclos, pretos-velhos, exus e pombagiras, habitam o panteão da umbanda. Nos centros, essas entidades se apresentam em coloridas imagens, alegres pontos cantados e muitos doces que nos permitem
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Marta Roriz
Partindo de desenvolvimentos na teoria etnográfica e antropológica para os estudos do turismo urbano, este ensaio oferece uma descrição das paisagens turísticas de Sarajevo pela perspetiva do turista-etnógrafo, detalhando como o tempo se
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Lorenzo Macagno
O artigo comenta, contextualiza e transcreve o intercâmbio epistolar que mantiveram, entre 1971 e 1979, o antropólogo social David J. Webster (1945-1989) e o etnólogo e funcionário colonial português, António Rita-Ferreira (1922-2014).
[+]Dossier «Género y cuidados en la experiencia transnacional caboverdiana»
Luzia Oca González, Fernando Barbosa Rodrigues and Iria Vázquez Silva
Neste dossiê sobre o género e os cuidados na comunidade transnacional cabo-verdiana, as leitoras e leitores encontrarão os resultados de diferentes etnografias feitas tanto em Cabo Verde como nos países de destino da sua diáspora no sul da
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Fernando Barbosa Rodrigues
Partindo do terreno etnográfico – interior da ilha de Santiago de Cabo Verde – e com base na observação participante e em testemunhos das habitantes locais de Brianda, este artigo é uma contribuição para poder interpretar as estratégias
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Este artigo reflete sobre a categoria cuidado quando atravessada pelas dinâmicas de gênero e geração na sociedade cabo-verdiana. O ato de cuidar é de fundamental importância para as dinâmicas familiares nesta sociedade que é marcada por
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Luzia Oca González and Iria Vázquez Silva
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Keina Espiñeira González, Belén Fernández-Suárez and Antía Pérez-Caramés
La conciliación de las esferas personal, laboral y familiar de las personas migrantes es un tema emergente en los estudios migratorios de mano de conceptos como el de familia transnacional o las cadenas globales de cuidados. En esta contribución
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Filipe Verde
Este artigo questiona a consistência, razoabilidade e fecundidade das propostas metodológicas e conceção de conhecimento antropológico da “viragem ontológica” em antropologia. Tomando como ponto de partida o livro-manifesto produzido por
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Rogério Brittes W. Pires
O artigo “Estrangeiros universais”, de Filipe Verde, apresenta uma crítica ao que chama de “viragem ontológica” na antropologia, tomando o livro The Ontological Turn, de Holbraad e Pedersen (2017), como ponto de partida (2025a: 252).1 O
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Filipe Verde
Se há evidência que a antropologia sempre reconheceu é a de que o meio em que somos inculturados molda de forma decisiva a nossa compreensão do mundo e de nós mesmos. Isso é assim para a própria antropologia e, portanto, ser antropólogo é
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Rogério Brittes W. Pires
Um erro do construtivismo clássico é postular que verdades alheias seriam construídas socialmente, mas as do próprio enunciador não. Que minha visão de mundo, do fazer antropológico e da ciência sejam moldadas por meu ambiente – em
[+]Nota sobre la cubierta
Pedro Calapez
© Pedro Calapez. 2023. (Pormenor) Díptico B; Técnica e Suporte: Acrílico sobre tela colada em MDF e estrutura em madeira. Dimensões: 192 x 120 x 4 cm. Imagem gentilmente cedidas pelo autor. Créditos fotográficos: MPPC / Pedro
[+]Camilla Morello
17.04.2026
Notas de campo – textos originales que proponen una mirada y reflexión sobre experiencias de investigación con la presentación de viñetas de trabajo de campo. Se invita a los autores a incorporar representaciones multimodales (texto, sonido e imagen en los más variados formatos) que faciliten el acceso a hechos, materialidades, involucramientos, interacciones, relaciones e interacciones posibilitadas durante el trabajo de campo. Una sección que abre la puerta a las formas en que los antropólogos producen conocimiento cuando realizan sus investigaciones, valorando los datos brutos, los materiales a analizar, las impresiones e imprecisiones, la circunstancialidad y la naturaleza gerundial del hacer antropología y que invita a soluciones creativas que nos hagan adentrar o aproximar a las experiencias vividas por antropólogos en el campo.
Música aconselhada para a leitura:
THE XX - Intro
⸬ 1986, provavelmente algures em agosto [2]
Violência
É noite. Acabei de me deitar. Este é o único momento em que os meus pensamentos não estão sob ameaça. Aqui posso finalmente libertar o que ficou preso. A menos que ele decida atingir-me enquanto estou na cama e, assim, acabar definitivamente comigo. Mas não posso permitir-me adormecer com o terror de que isso aconteça — isso roubaria até as poucas horas de trégua que me restam.
Dentro de mim cresce algo que não consigo definir de outra forma senão como o fruto dessa violência.
Tenho duas preferências de nome para esse algo: Camilla e Lavinia. Mas ele não gostou de nenhuma. Tinha de se ter o nome da sua mãe. Um nome tão horrível que a própria durante a sua vida inteira utilizou uma alcunha. Não interessa, dá-lhe igual: entrou no quarto onde costumo engomar as camisas dele, fechou a porta e bateu-me.
Eu já não sinto dor. Mas vejo-a. Vejo-a no meu olho roxo. Vejo-a no meu corpo grávido que pesa 40 quilos. Vejo-a no meu cabelo ralo. Vejo-a nos vidros partidos aqui em casa, nas janelas sempre fechadas. E oiço-a nos gritos.
Sempre me ensinaram que, para cair bem, para não partir os ossos, é preciso não oferecer resistência, não estar tensa, deixar o corpo trabalhar com a gravidade. Eu já não sinto dor porque nas mãos dele sou como um pedaço de carne sem vida nem articulações. Mole. Inerte. Oiço os socos, mas não os sinto. Penso só no momento em que vou dormir, sem sonhar; mas, ao menos, dormir.
Ele faz atenção em bater-me só no rosto e nos membros, agora. Evita a barriga porque não quer provocar danos ao feto, prenda do Senhor.
É assim que foi concebida a minha filha, num dia como este. Estava chateado comigo. Faltei-lhe ao respeito, diz ele. Viu-me a comer ovos. Ele é vegano. Não se pode comer nem carne nem produtos de origem animal nesta casa. Coitados dos animais, eles sofrem.
Assim, bateu-me. Bateu-me com tanto ardor, que acabou por excitar-se e vir-se dentro de mim. Quando despertei, ele estava a chorar por cima de mim pedindo desculpa por ter-me batido. A pila dele voltou dura e masturbou-se dentro da minha vagina outra vez.
Aquela noite levou-me a jantar fora num restaurante vegano. Nos anos 80 eram uma raridade. Eu nem vi o que tinha no prato porque estava de óculos escuros.
A minha filha nasceu das lágrimas. Parece-me um mito fundador.
⸬ Junho de 2020
Culpa
Estava no meu nono dia de internamento no hospital. Tratada como uma vaca incubadora, provocava eu, e a enfermeira respondia: “também eu tenho coisas melhores para fazer”. Lá está ela, mais uma vez, moralizadora a tentar manipular-me para que eu possa sentir toda a minha culpa. A culpa de não querer abdicar inteiramente de mim enquanto sou portadora de feto. A culpa de não querer ser patologizada ou medicalizada por causa da minha barriga a crescer. A culpa de achar saber melhor do que as máquinas como é que o meu bebé está. A culpa de sentir que não tinha nem de agradar nem de agradecer a ninguém por estar naquela situação de vigilância obsessiva. A culpa de não adorar estar presa num colchão de plástico podre onde um holobionte de 30 semanas mal cabe. A culpa de achar absurdo e incoerente impor-me a terapia do repouso absoluto, num sítio onde o repouso era impraticável. A culpa de recusar estar de máscara 24 horas por dia e de pedir que, pelo menos, abrissem as janelas. “Não, pode ser perigoso”. A culpa de não querer ser infantilizada. A culpa de recusar os leitinhos e as bolachinhas Maria, oferecidos cinco vezes por dia, todos os dias, a partir das sete da manhã. “É para o teu bebé”, diziam. A culpa de que, quando ouvia música com os meus headphones, não a ouvia para o meu bebé, mas para que a mãe dele, eu, conseguisse evitar ataques de pânico. A culpa de fazer todo o possível, com ou sem autorização, para ver o meu namorado, pai do filho que eu trazia no ventre, pelo menos uns minutos, de máscara, através de um vidro. Mas mesmo por estes escassos minutos de amor, tinha culpa. A culpa de não querer confundir a palavra maternidade com a palavra sacrifício.
⸬ 25 de abril de 1987
Nascimento I
Sinto-me segura no hospital. Os acompanhantes não têm o direito de entrar no bloco de partos e o meu marido foi de férias uns dias para os montes enquanto eu dou à luz. Ainda bem, assim posso parir sem ter de me lembrar de onde esta filha vem. Hoje, quando entrei em trabalho de parto, ainda a questão do nome não estava resolvida. Já sei que vou registar o nome às escondidas, tal como às escondidas fui ao exame de bacharelato porque uma mulher não, não pode estudar. Pergunto-me porque, às escondidas, um dia há oito meses, não fui abortar. Demasiadas missas, rosários e atos de contrição na minha infância abortaram o meu livre arbítrio. Percebi que tinha perdido o significado da palavra escolha quando ficava calada a ver o meu pai chamar a minha mãe com uma sineta de um quarto para o outro da casa para que ela lhe trouxesse o café. Mais uma história ordinária para ser esquecida neste mundo. As contrações interrompem o fluxo dos meus míseros pensamentos. Uma enfermeira ao meu lado tenta distrair-me: “Mãe, como é que se vai chamar a sua filha?”. Mãe. Chamam-me mãe só porque cresceu-me isto que agora quer sair. Poderiam chamar-me útero, era mais adequado para mim. “Olhe, não sei como se vai chamar. Escolha a enfermeira”. E a enfermeira, de facto, escolheu. Entre as duas opções que tinha, optou pela primeira: Camilla. O trabalho de parto continua, finalmente tenho um nome, mas o nome não me aproxima da filha que estou a parir. Continuo a ser um útero na plena atuação mecânica das suas funções.
A dor é devoradora, mas ao menos, pela primeira vez, ao sentir dor sinto-me segura. Não há ninguém aqui do qual tenha de me proteger ou defender. Ninguém está a bater-me para tentar matar-me. É a minha filha a lutar para nascer. Mais uma contração. Vou tentar ajudar a criatura a descer. Mas eu estou deitada. Estou ligada às máquinas como uma marioneta ao seu manobrador. Não consigo mexer. Tudo sai pela garganta. Gritos violentos, desesperados. As enfermeiras asseguraram-me de que está a correr tudo bem. O médico aparece à minha frente com uma tesoura cirúrgica e corta. O fogo entre as pernas mistura-se à eletricidade do meu ventre. Não distingo as dores. Oiço as pessoas à minha volta: “Puxa”. O esforço é tanto que quase sinto explodir as veias do meu crânio. As pessoas continuam a dar-me instruções, mas parece que o meu corpo não consegue satisfazer os desejos deles. A frustração é táctil. Mais uma contração, o médico pega no fórceps, mas a enfermeira é mais rápida e empurra a minha barriga. Eu grito de raiva e toda a minha força verticaliza-se até à minha vagina. A cabeça sai. O resto é rápido. A criatura nasce e vai diretamente para os braços de médicos desconhecidos, - cordão cortado -, no metal frio da balança - injeções. Quando ma colocam por cima do peito, já está fria e com cheiro a hospital. Acho que é feia.
⸬ 22 de agosto de 2020
Nascimento II
Acordo cedo. Dormir é impossível com esta barriga a explodir. Ontem fui devorada pelos meus monstros, num pânico que atravessa passado e futuro. Dizem que as hormonas se descontrolam no fim da gravidez. Hoje respiro, como se nada tivesse acontecido: chá de folhas de framboesa, tâmaras, perfume selvático da serra, sol suave da manhã. Tudo é mais calmo. O silêncio da serra acompanha o silêncio dos meus pensamentos, agora distantes do hospital. Um pequeno passeio até à horta. Regresso à casa fresca de madeira com tomates e folhas de manjericão saborosíssimas. Invento o almoço. Ele chega, abraços longos, café, silêncio que se faz toque, corpo e amor com o prazer de um dia de sol no meio de um inverno cinzento.
Ainda nus consumimos o nosso almoço. Pergunto-me se é a impossibilidade de cristalizar esses momentos para a eternidade que faz com que a perfeição magoe. Entretanto, uma leve pontada no ventre torna este pensamento perfeitamente coerente. Sentados à mesa, continuamos a conversar como dois apaixonados no primeiro encontro. As pontadas frequentes lembram-nos de que, daqui a nada, os apaixonados vão ser três. Começamos a rirmo-nos. “Fogo, é isso, está a acontecer. É real!”. Volto a deitar-me um pouco no sofá, digo: “é verdade, doí pá”. E mais risos. As duas maravilhosas mulheres que vão ajudar-nos já foram avisadas. Moram muito perto, na serra. Tomo um duche. Aqui fui invadida pela adrenalina misturada com o pânico: a partir de agora tudo é incógnita. Saio da banheira, cubro-me com um lenço e vou sentar-me lá fora, feliz de que o sol hoje decidiu ser menos violento. Dou duas passas de erva pura, inspiro e volto a expandir-me. A música baixinha dentro de casa chega até aos meus ouvidos como uma massagem, ao mesmo tempo que as mãos dele amaciam-me as lombares. Cada dor aprendida intensifica a seguinte. É um jogo de níveis: novas posições, novos sons, novas respirações a cada vez. Não dá para descansar. Não se aprende isso em lado nenhum. Só aprendi a aceitar o valor da dor. Numa pausa, sinto-me rodeada de amor e choro de felicidade, embriagada por essas hormonas que deviam existir em comprimidos. O nível sobe outra vez e, com ele, o almoço: vomito. Dentro de mim só há espaço para esta batalha entre o meu filho e o meu útero. Sou o meio. Hospedeira. Já não há retorno. O tempo avança como flecha e se te interpões no seu caminho morres. Sei que se vou opor resistência vai ser insuportável. São oito da noite, fora ainda há luz, mas a água da pequena piscina está a chamar-me, pois já não encontro posições que me sosseguem. Entro na água morna e ganho de repente 1000 pontos de vida neste jogo de resistência. Em poucos segundos o meu namorado despiu-se e juntou-se a mim. Banhados por um fluido a cada hora mais escuro, cheio de sangue, mijo e líquido amniótico, entre gritos selvagens, um estado em constante alternância entre sonolência, medo e dor, rodeada de atenções discretas e amor - enquanto pensei que ia lacerar-me em dois e, vencida pela violência da vida, achei que ia morrer em poucos instantes - demos à luz o nosso filho. Em poucos segundos, tudo isso era já história e memória. O presente é imenso.
Música aconselhada para a leitura:
⸬ 29 de setembro de 2025
Diário expandido
“To move through the world involves much more than crisscrossing the landscape; it is to realize one’s continuity and connectedness with ancestral presences that are at once in the ground and within one’s own body” (Jackson 2018: 321).
A primeira visita à terra e à família de origem, após dois anos sem lá pôr os pés, transformou-se num jogo de sobrevivência. Fugi da minha mãe para proteger o meu filho daquela miséria, colocando-o diante da difícil verdade das suas origens, que até então eu conseguira poupá-lo de enfrentar.
O sol de agosto secava as minhas lágrimas antes de brotarem, e o mar da Ligúria diluía-as nas suas águas salgadas. Nómadas, meu filho e eu tentávamos inventar memórias luminosas para aqueles dias e para aqueles lugares: gelados, tererés no cabelo e focaccia mordida na praia. À noite, a solidão emergia. A escuridão acolhia as minhas feridas e lambia as lágrimas perdidas entre os cabelos e a almofada, ao lado do sono tranquilo do meu filho.
Poucos dias depois do regresso a Lisboa, o meu corpo colapsou. A dor fulminante nas costas impôs semanas de inércia e uma nova pergunta: o que acontece à investigação quando quem investiga entra em crise pessoal e o seu corpo reclama uma nova verdade?
Se não somos meros recetores passivos da investigação, mas fontes de desejos, urgências e motores de inspiração, então a pesquisa é orientada pelo corpo, pela memória e pelos afetos. Ignorar estas condições íntimas seria amputar um projeto da sua vulnerabilidade – não como fraqueza, mas como força epistémica. É esta vulnerabilidade que mantém a investigação permeável, sensível, capaz de se deixar afetar. Negá-la seria apagar corpo, memória e afetos numa pretensa neutralidade impossível. Tal apagamento contradiz a ideia de que “a pessoalidade de cada um de nós é socialmente instituída” (Pina-Cabral 2021: 146). A singularidade da investigadora não é um dado fixo, mas um produto dinâmico de relações, histórias, afetos e pertenças. O ser é sempre um estar a acontecer, em movimento, em processo, continuamente inscrito num ecossistema relacional.
Quando este processo sofre um abalo, tornando impossível manter a ilusão de separação entre vida pessoal e académica, surgem perguntas inevitáveis: como continuar a pesquisa a partir desse lugar? Que ferramentas mobilizar? Como acolher a crise enquanto espaço fértil? Como suspender o tempo e ritualizar a crise? Onde começa realmente a investigação? Onde começa essa “extrema permeabilidade e vulnerabilidade do observador no campo” (Pussetti 2016: 51), reconhecendo que a investigadora não é abstrata, mas um ser humano afetado pelo mundo?
Na língua japonesa, “crise” combina os ideogramas de perigo e oportunidade. Em perigo, suspendemo-nos, com sentidos alertas, para sobreviver e reencontrar caminhos. E se a crise suspendesse também o tempo do fazer, abrindo uma temporalidade do sentir? O “fruitful chaos” da liminaridade (Turner 1990, em Fradique 2014: 47) emerge como chave prática e poética, abrindo espaço a novas formas de relação e pensamento. É nesse não-saber fértil do limiar (Ingold 2023) – onde pesquisa e experimentação se entrelaçam – que a vulnerabilidade se revela potência: expor dúvidas, afetos e hesitações torna-se ferramenta epistemológica, permitindo uma antropologia sensível, na qual a arte se manifesta como território subterrâneo de sinais e coincidências (Tacita Dean, em Foster 2004), acolhendo a dúvida como força produtiva e dando forma ao conhecimento que emerge do corpo e da experiência.
Assim, proponho um gesto que privilegia o sentir antes do saber: um diário expandido, ou ainda um protótipo, para assumir a experimentação – artística e académica – como processo e revelação da própria pesquisa (Fradique 2014; Borea 2018). Diário, por percorrer e traçar biografias, notas e reflexões; expandido, por se deixar atravessar por afetos, subjetividades, temporalidades, disciplinas e formatos – permitindo que subjetividade e emoção se integrem na investigação e que a memória não seja domesticada pela cronologia. Ao suspender o tempo linear e operar uma ressignificação da temporalidade, permito-me estar com a crise (com+por com ela), em vez de me impor sobre ela. Nesse processo, o espaço de investigação revela-se como um lugar performativo, e o diário expandido configura-se como uma performance que “resiste a conclusões, assim como resiste a definições, limites e fronteiras” (Fradique 2014: 31).
Esta abordagem aproxima-se da noção de expanded fieldwork de Borea (2018), que descreve um trabalho de campo que excede tempos e espaços, reunindo observações, memórias, afetos e materialidades. O diário expandido, enquanto dispositivo artístico e académico com potencial colaborativo, torna-se espaço comum entre investigadora, campo e participantes, reinventando-se à medida que o campo se transforma. Desloca o foco do “eu” para uma dimensão sensorial partilhada, onde a autoria se dilui, aproximando-se da conceção de campo-organismo (Câmara 2025), em que o sujeito reinscreve a sua existência na experiência vivida dos corpos e no modo relacional de ser-no-mundo.
⸬ Abril de 2023 [3]
O diário expandido funciona simultaneamente como arquivo vivo e processo – trabalho de campo em si mesmo (Edwards 2017, em Borea 2018) — capaz de acolher excesso e multiplicidade de materiais, transformando-os em gesto investigativo. Tal como Foster sugere, permite “transformar a tardia sensação de falha em processo de devir” (2004: 22), convertendo o não-lugar do arquivo em espaço de possibilidade.
Trata-se de uma expansão do campo antropológico, que revela uma densidade feita de conexões, rupturas e expressões não verbais. Arte e antropologia confundem-se num “estado de busca aberto” (Fradique 2014: 29), privilegiando processo, tempo e relações, procurando “superar a oposição entre a antropologia visual e a sua forma escrita, focando no line-making” (Borea 2018: 75, referindo Ingold): metáfora das tramas da vida que emergem para “abrir caminhos inesperados” (Borea 2018: 67), onde palavras e outros elementos se tornam movimento — emoções, corpo, sensações, memórias, silêncios.
O diário expandido, ao acolher imprevisto, erro e afeto, reconhece que na crise há potência, e que arte e antropologia se entrelacem como laboratórios da existência e dos seus futuros.
⸬ Março 2023 [4]
Música aconselhada para a leitura:
Sigur Ros – Glósóli
⸬ 11 de dezembro de 2025
Mosaico
Após o presente imenso que o nascimento do meu filho me trouxe como dom – e o terror que batizou o meu –, passaram cinco anos de diálogo frenético entre passado(s) e futuro(s), reinscrevendo-se num presente continuamente ressignificado. Um diálogo que reconfigurou o puzzle das temporalidades e dos sentidos sobre os quais se erguia a narrativa de mim própria. As crises pessoais, familiares e profissionais formaram um mosaico que, só agora, consigo ver na sua nitidez, e que compõe a paisagem da minha investigação académica e artística.
A peça central deste mosaico é o tema da invisibilidade e das suas performatividades possíveis, que me acompanha com maior discernimento desde o dia em que um corpo de quase três quilos saiu da minha vagina e a morte entrou no meu inconsciente como certeza tranquilizadora. Entregar o controlo sobre o meu corpo, confiando-o à sua sabedoria ancestral, significou integrar a morte na paisagem da minha identidade; ser mãe foi reposicionar vida e morte não como antinomias, mas como matéria imersa nesta organicidade fluida, neste ciclo morte/decomposição/nascimento.
⸬ 8 de julho de 2023 [5]
O conceito de invisibilidade impôs-se à luz deste canibalismo universal, onde, como propõe Emanuele Coccia, a vida se apresenta como um corpo fluido, no qual todos estamos imersos, vivendo numa constante relação de intercâmbio mútuo entre sujeito e ambiente. Invisibilidade, aqui, não é ausência, mas atenção ao que resiste, ao que se oculta ou permanece, deixando para sempre vacante o trono do ego, essa ficção antropocêntrica que insiste em colocar o humano no centro de todas as coisas. Para uma poética política da invisibilidade.
Interessa-me compreender como a invisibilidade – social, afetiva ou institucional – se manifesta enquanto objeto, processo e efeito de investigação, e como isso gera micro-utopias que desafiam narrativas dominantes. Guattari e Rolnik (2005) oferecem contribuições essenciais para pensar essa dimensão utópica como micropolíticas do cotidiano que, ao se articularem com o conceito de encantamento (Rufino e Simas 2020; Federici 2022), mostram como processos transformadores emergem de pequenos gestos, afetos compartilhados e práticas diárias.
Ortner critica abordagens centradas exclusivamente nas grandes formações políticas e propõe localizar a agência no tópos, onde práticas mais simples e cotidianas ganham relevo, com o objetivo de “pôr, por assim dizer, o pé no chão” (2006: 73). Nesse campo imanente, neste estar(-com), as atividades artísticas emergem como práticas de presença, ecoando Câmara (2025: 58), para quem “o artista constrói futuros através da conquista do presente”. A arte extravasa categorias, habitando a incerteza, e faz do presente – do aqui e agora – uma proa instável, mas firmemente voltada para um futuro que se reinventa a cada milha percorrida, içando no mastro a bandeira da utopia.
É nessa proa instável da imanência que situo a reflexão sobre a invisibilidade, entendida como continuidade do visível, e não como o seu reverso – um estado de presença radical, que revela uma agencialidade contínua, situada e sensível ao mundo. Esta perspetiva está orientada pela noção de correspondência de Ingold (2023): uma ética da atenção, na qual conhecer não significa apenas extrair sentidos, mas afinar o olhar e envolver-se, assumindo a sensibilidade como princípio epistemológico. Assim, o que plasma e organiza este mosaico é a sensorialidade, como veículo fundamental de conhecimento. Pussetti (2016) propõe uma abordagem incorporada, mostrando que é pelo corpo afetado que o mundo se torna inteligível. Tal postura exige reconhecer a permeabilidade da investigadora em campo, ao mesmo tempo que a sua subjetividade deixa de ocupar o centro da narração, emergindo antes como “prospetiva participante numa situação já povoada de coisas e de outros” (Câmara 2025: 47).
⸬ Junho de 2020 [6]
Camilla, eu, nascida da violência de um pai que substituiu a sua presença pelas cicatrizes que deixou, e do caráter manipulador de uma mãe também ausente – embora os seus gritos, choros e longos silêncios punitivos colonizassem a casa –, existo nesse emaranhado de significados e consequências: filha da doença mental e do patriarcado mais tóxico, que sempre me empurrou para as filas traseiras da vida; não-amada, não-desejada, não-respeitada. Filha não-vista, assumo hoje a invisibilidade como força e tensão, como resgate e produção de sentidos, e a vulnerabilidade como ferramenta epistemológica. Eis o mosaico.
Música aconselhada para a leitura:
Daniela Pes – A Te Sola
⸬ 16 de junho de 2025
Práticas invisíveis e suas performatividades
O meu olhar, enquanto artista, antropóloga e pessoa encontra inspiração e impulso nos interstícios mínimos da sociedade, frequentemente depositários de talentos apagados e invisibilizados. Estes interstícios manifestam resistência simbólica em projetos diversos, que vão da ação individual a coletivos maiores: desde instalações artísticas clandestinas ou efémeras até à reapropriação comunitária de espaços urbanos, redes de cuidado mútuo, ecologias urbanas, micro-resistências verdes, práticas artísticas e educação informal em lugares marginalizados, como periferias ou prisões.
Em tempos de precariedade e colapso ecológico, a estrutura social continua moldada por uma matriz de progresso linear, competição e exploração dos recursos humanos, simbólicos e ecológicos – um reflexo do inconsciente colonial-racializante-capitalista do qual escreve Rolnik (2020).
Frente à erosão dos vínculos comunitários, interessa-me desenvolver uma metodologia construída com e pelas margens, que procura sentidos nesses territórios - tanto no plano sensorial quanto na atribuição de significado que dele emerge -, revelando micropolíticas de resistência capazes de ativar o presente e instaurar vínculos relacionais.
⸬ 4 de novembro 2025 [7]
Chamo a essas fissuras no mapa neoliberal, a esses sonhos invisíveis ou utopias mínimas na linha progressiva do tempo, de microagencialidades. São ações sem espetáculo, “práticas quotidianas que produzem sem capitalizar” (Certeau 1980: 48), mas que tecem alternativas vivas ao modelo dominante, mostrando como a vida pode emergir fora do discurso progressista, monocêntrico e capitalista. Interesso-me pelos rastos de uma lógica de mundo que insiste em emergir nas margens, nas brechas, nas práticas silenciosas: rastos de vida na ruína, rastos de encantamento como forma de resistência – revelando que o motor é a imanência: forma de resistência, lugar de esperança, geradora de transformação.
A atenção sensorial, enquanto modo culturalmente situado de conhecimento e relação (Pink 2011; Howes 2022), permite transformar o caráter imanente do presente em prática epistemológica, na co-presença e no envolvimento corporal. Ela revela o mundo nas suas texturas, intensidades e margens persistentes, entendidas como potenciais veículos de transformação. Trabalhar nas invisibilidades desafia centralidades – epistemológicas, geográficas e autorais – reconhecendo valor no que escapa às narrativas dominantes do progresso neoliberal. Nesse contexto, o diário expandido surge como dispositivo para promover práticas colaborativas que diluam a autoria, criando espaço para o coletivo. Neste movimento, proponho analisar as relações entre lugar, gesto, materialidade e imaginário, articulando uma observação sensível à investigação artística e a processos colaborativos multissensoriais, abrindo novos sentidos para a invisibilidade enquanto vetor de imanência.
⸬ Abril 2023 [8]
⸬ sem data
Sem título
Nessa junção entre investigação e investigadora, entre práticas artísticas e abordagem académica, objeto e sujeito confundem-se no território comum do sensível, enquanto o arquivo revela as crises que foram emergindo ao longo das linhas do tempo até este presente. Assim, a noção de tempo, enquanto construção teórica, passa a ser experiência viva que atravessa pesquisa e escrita. Essa dimensão transtemporal, ao aproximar vida e transmissão académica, reafirma que o conhecimento não é um dado acabado, mas um processo contínuo, relacional e aberto.
Procuro na minha memória o meu “arquivo como um inconsciente espacial, onde conteúdos reprimidos retornam de forma disruptiva e diferentes práticas se misturam de maneira entrópica” (Foster, citando Durant, 2004: 17). Este arquivo torna-se ponte entre prática performativa e trabalho antropológico: um lugar onde corpo, emoção e conhecimento se encontram, integrando sujeito e objeto numa investigação viva, permeada pela presença. São esses momentos – “arcas encontradas de momentos perdidos, nos quais o ‘aqui e agora’ funciona como portal entre um passado inacabado e um futuro reaberto” (Foster 2004: 15) – em que a memória reconecta passado e presente, e aquilo que poderia parecer distinto – ou até mesmo desconectado – começa a fundir-se de forma desordenada, caótica e imprevisível, reintegrando simbolicamente a crise no presente e confluindo no meu objeto de pesquisa: o das microagencialidades – ou do invisível.
Ao reconhecer esses percursos entrelaçados em tempos-fora-do-tempo, a crise dilui-se, escorrendo por canais desobstruídos pelas próprias memórias da experiência, enquanto o presente ressurge, vibrante de passado. Bergson escreve que “duração é o progresso contínuo do passado que corrói o futuro e que incha conforme avança” (em Ingold 2007: 119), ecoando a proposta espiralar de Leda Maria Martins, que encena passado, presente e futuro simultaneamente, subvertendo o modelo progressivo e permitindo que outras temporalidades – afetivas, ancestrais, imaginadas – venham à superfície. Nesse gesto, a antropologia deixa de ser apenas descrição do mundo e torna-se reencontro, movimento de retorno a casa e forma de autoconhecimento (Ingold 2016), tal como a arte. Pergunto-me se o trabalho da antropóloga não se aproxima do de uma rabdomante que, em vez de procurar água, procura linhas já existentes, retirando-as do esquecimento para lhes dar novo sentido – criando encruzilhadas capazes de reconhecer presentes possíveis e fortalecer a trama dos futuros.
Se nas tramas micelares – feitas de práticas mínimas e resistências invisíveis do quotidiano – reside uma força transformadora capaz de redesenhar o campo dos possíveis, poderá então a invisibilidade tornar-se dispositivo metodológico que resiste à conceitualização? Um modo de ritualizar o inconsciente numa prática mais encarnada, performativa e transformadora?
Camilla Morello (NOVA-FCSH, Lisboa, Portugal)
Camilla Morello é artista e investigadora. Formada em teatro e cinema por necessidade, em antropologia por desejo e em performance por contágio, transita entre linguagens como quem tateia fronteiras porosas entre arte e vida, explorando o vídeo, o movimento, a criação cénica e a escrita como gestos de escuta, fricção e reinvenção do sensível. Concluiu a formação como actriz na Escola Nacional de Cinema de Roma, licenciou-se em Antropologia na Universidade La Sapienza e aprofundou os seus estudos em arte, filosofia e estética na Université Paris 8. Especializou-se em artes performativas em Lisboa (F.O.R. e PACAP 6) e trabalhou com Tamara Cubas, Miguel Moreira, Miguel Pereira, Catarina Câmara, Maurícia Neves, Mickaël de Oliveira, Nuno M. Cardoso e Marcelo Evelin, entre outros. Criou performances e solos para black box e espaços não convencionais, apresentados em festivais como Linha de Fuga, Palcos Instáveis, MAPS, Mimesis e MUSCARIUM. Desenvolveu BERMAS, um projeto artístico de intervenção social em contexto prisional (CORPOEMCADEIA/DGArtes). Frequentou o curso Kino-Doc, onde aprofundou a linguagem do documentário enquanto forma de escrita política e poética. Desde setembro de 2024, frequenta o mestrado em Antropologia – Culturas Visuais na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Atualmente colabora com o Arena Ensemble, estrutura de criação artística do encenador e realizador Marco Martins, e desenvolve a sua próxima criação, The Red Blanket Theory of Fiction, em colaboração com a argumentista Elisa Generoso.
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